sábado, 4 de setembro de 2010

Transformers: War for Cybetron – Review – Playstation 3

Quem vencerá essa guerra?


Uma das melhores coisas que aconteceu nos anos 80 não foi a chegada do Nintendo 8 bits, nem das balas mentex ou muito menos as tartarugas ninja, mas sim os Transformers!Em retrospecto, Optimus Prime era a melhor coisa que se podia ver na TV. E agora com os fantásticos filmes de Michael Bay a franquia Transformers não só retornou a todo vapor para as telas dos cinemas, como também para os games! A High Moon Studios está trazendo o que há de melhor dessa franquia em Transformers: War for Cybetron!

A história desse game é bem diferente dos filmes ou dos Transformers originais, então se você é desses fãs puristas, esqueça! Esse jogo mostra a guerra de um ponto de vista realmente interessante, porém bastante diferente do que você está acostumado a ver. Apesar do jogo ser oficial, as diferenças serão percebidas por qualquer fã antigo da série. O mesmo se passa um milênio antes da série original de desenhos, que os fãs batizaram de G1. Transformers: War for Cybetron conta a história dos dias finais da guerra civil na superfície de sua terra natal, Cybetron. A Hasbro, empresa criadora dos Transformers reconheceu esse enredo como oficial para contar o que aconteceu antes da série original, assim Transformers: War for Cybetron tapa alguns buracos para um melhor entendimento de acontecimentos da série.

Transformers: War for Cybetron explica coisas como a deserção de Starscream dos Autobots, a sucessão de Optimus para a posição de Prime e muito mais! A forma com que a High Moon Studios conta a história é muito boa e se encaixa bem no universo Transformers, mas essa é uma modernização do cartoon original que, apesar de se manter fiel à existência dos personagens e histórias, fãs irão perceber o que foi mencionado anteriormente, há diferenças notáveis! Soundwave e Bumblebee,por exemplo, tiveram boas mudanças em seu visual, o que despertou a ira em alguns fãs, mas francamente, você irá reconhecê-los assim que os vir e as mudanças de ruim não têm nada!

Por falar em multiplayer, você tem uma série de opções quando o assunto é esse! Você pode customizar seu Transformer, pode fazer upgrades nas habilidades ou poderá dar toques do seu personagem on-line, enfim, todos os pontos positivos de qualquer game on-line estão disponíveis em Transformers: War for Cybetron! Os modos on-line tem tudo o que você pode desejar de um multiplayer: deathmatch, team deathmatch, variações inúmeras de “capture a bandeira” e “ponto de controle” (como na série Battlefield) e muito mais! Existe até um modo Horda, como em Gears of War 2, chamado “Escalation”. A diferença desse modo para o horda de Gears é que aqui você coleta pontos para cada morte conseguida e você gasta esses pontos em terminais para comprar mais life, munição ou armas melhores entre as ondas de inimigos, ou até mesmo durante a partida, já que o jogo conta com um interessante sistema de troca de arma para que você possa trocar seus pontos. Se você quiser guardar seus pontos para armas ao invés de usá-los para comprar life e munição, tudo bem, basta ter uma boa equipe que possa te dar a cobertura necessária!

Os Transformers evoluíam bastante desde os velhos e bons desenhos dos anos 80. Até mesmo Optimus e Megatron não parecem mais com seus velhos visuais, mas, mesmo assim, esse game consegue captar o espírito que só o velho desenho tinha! Tudo está presente, desde as brigas e disputas de Starscream e Megatron, os cálculos de Soundwave até as falas e discursos de Optimus! Transformers: War for Cybetron é um jogo divertido, empolgante e muito mais que jogável! É necessário na sua coleção!



Red Dead Redemption – Playstation 3 – Review

É assim que o faroeste tem que ser!


Você quer participar de uma aventura de verdade no velho oeste? Pois bem, finalmente surgiu um game que te leva a essa aventura como nenhum outro jogo jamais fez antes! Aqui você verá a ambigüidade entre a moral e os bons costumes versus a era onde as coisas eram resolvidas na bala e justiça era feita com as próprias mãos. Onde mulheres usavam vestidos com babados enormes, chapéus espalhafatosos e sempre estavam vidradas nos homens da lei, nos caras legais! Caras maus? Vilões? Escolha o seu! Olhos de cobra, atiradores, foras-da-lei dos mais variados tipos! Drama, personagens marcantes, enfim, aqui você encontrará de tudo!

Red Dead Redemption tem do cara vestido de preto, o cara de branco, chapéus cinza, um enredo e um elenco de personagens que chama atenção! Brigas com armas que te prenderão e a chance de mostrar quem você é pelas ações que você terá que tomar! Esse jogo é tudo o que um fã do faroeste poderia querer, mas deixará aqueles que nem são tão fãs assim tão presos quanto os aficionados pelo gênero. Se você pode viver a era de ouro dos filmes “bang-bang” você terá a oportunidade de vivenciar essa experiência, senão Red Dead Redemption fará isso por você.

Há muito que fazer nesse game que tem tudo! Você poderá cavalgar pelas cidades, para ter a certeza que será desafiado para um duelo ou para uma briga! E se você é do tipo de gosta de chamar atenção, basta atirar na arma que está na mão do oponente! Ou talvez você ache mais divertido cuidar de alguns arruaceiros que estão bagunçando o saloon! Você é o cara que poderá resolver isso, OU NÃO! Você é quem decide!







A grande sacada de Red Dead Redemption está no poder de resolver tudo com suas próprias mãos ou de simplesmente assistir àquilo que não lhe interessar. Esse é o verdadeiro velho oeste dos cinemas, e você é o protagonista e ao mesmo tempo o diretor que tem o poder de decidir o seu destino e dos demais ao seu redor! Mas claro com o controle das habilidades certas. Eventos randômicos que você encontrará pelo jogo serão perfeitos micro-dramas que ajudarão você a definir sua reputação dentre os demais habitantes. Um exemplo é quando você entra num lugar, um bandido usa uma mocinha como refém e você poderá utilizar da clássica cena onde você atira na arma dele, para desarmá-lo, fazendo com que ele seja preso, ou poderá utilizar de outra famosa cena dos cinemas, atirando no rosto dele, naquele minúsculo espaço entre ele e a moça sendo utilizada como escudo, para exibir suas habilidades! Só não erre! Assim, você será o fora-da-lei!

E sim, antes que eu esqueça, esse não é um jogo sem história! Há sim uma história, repleta de traições, vinganças e muitas coisas legais para se fazer! Uma história muito boa por sinal! Na verdade, dá para contar nos dedos, de uma única mão, a quantidade de filmes de faroeste que tem uma história tão boa! Pode não ser a melhor das histórias, mas com certeza está entre elas! A diferença é que você não só assiste a esses acontecimentos, você faz parte deles! Você os modifica! Você é também um acontecimento! E é claro, Red Dead Redemption lembra muito GTA, não somente por ser um game da mesma empresa, mas pelo poder da liberdade. Só não cometa o erro de pensar que esse é um GTA com cavalos, senão te chamo para um duelo!

Seu protagonista poderá ser um anjo da justiça ou um bandido procurado, ou talvez até um homem moldado pelo mal! Quando você guia seu cavalo pelo desenrolar do enredo você sempre será John Marston, um homem misterioso com um passado do qual ele gostaria de se redimir, mas cabe a você transformar isso em verdade, ou não (que será um provavelmente não se você errou aquele tiro acertando aquela jovem que mencionei alguns parágrafos atrás)!





As cut-scenes também são bem legais, com pessoas falando sobre as coisas que têm acontecido e aqui você também poderá interagir e decidir de forma positiva ou negativa, dependendo das suas respostas.O que se torna ainda mais verdadeiro em um jogo onde a liberdade é o ponto chave. É basicamente um RPG do velho oeste. A liberdade é tamanha que até seu próprio cavalo pode ser morto por você, basta dar um tiro nele. Se você não gostar do cara que está tocando o piano no bar, chumbo nele também oras! E nem vou comentar os demais animais da floresta, faça o que quiser com eles!

O multiplayer conta com um pedaço do universo de Red Dead Redemption, onde você poderá se reunir com alguns outros jogadores amigos seus ou poderá se aventurar numa sala pública. Mas aqui não há missões como as da campanha para um jogador, apenas os eventos randômicos. O mais interessante quando o assunto é o multiplayer são as variações de modos versus e modos cooperativos de perseguição. Quando você trabalha em conjunto com outros jogadores a recompensa é bem maior! E você poderá ser recompensado ao jogar nesses modos com mais experiência, níveis e até mesmo destraváveis como modelos de personagens ou novas montarias.

Red Dead Redemption é um jogo incrível que deixará fãs e não-fãs do velho oeste fascinados! Afinal, não é todo o dia que você pode se tornar o rei do oeste, ou o bandido mais procurado de todos os tempos!

Naughty Bear - Playstation 3 - Review

Assustar ou matar?... De desgosto!

Aquele ursinho adorável que abraçávamos quando criança para nos sentirmos seguros enquanto dormíamos teve seu estereótipo completamente alterado pela desenvolvedora 505 (um estúdio não muito conhecido e criador de alguns jogos para meninas) em um jogo cheio de ursos violentos, sanguinários, impiedosos e coloridos.

De primeira, esse jogo passa a impressão de ser algo original e bem humorado, mas não se deixe enganar pela aparência um tanto meiga do ursinho. O urso é marrom, fofo, mal cuidado e a voz do narrador lembra a de um apresentador de programas infantis. Naughty Bear é um jogo incrivelmente violento, onde o ursinho, decepcionado e furioso por ter sido o único urso não convidado da cidade para a festa de aniversário de um dos melhores amigos, busca vingança invadindo a festa na Ilha da Perfeição onde tudo é colorido, escolhendo entre assustar ou matar os outros ursos. É assim que o jogador consegue pontos, mas com algumas condições, como por exemplo, a de não ser visto mais de cinco vezes.

A excessiva violência gratuita é a maior característica de Naughty Bear. O fato dos ursos serem de espuma por dentro permite ir um pouco além das carnificinas comuns em um jogo, pois ao invés de sangue espirrado na tela, voam flocos de espuma.









Para pontos extras, basta destruir presentes de aniversário jogando-os na churrasqueira ou no vaso sanitário e dando descarga (isso pode ser feito com os ursos também). Fazendo maldades ininterruptas, você pode multiplicar seus pontos e ganhar troféus.

As armas usadas no jogo variam de facas de cozinha a tortura psicológica fazendo com que os ursos matem a si próprios. Até aí o jogo soa como algo bom e bastante divertido, mas não se deixe enganar! Naughty Bear consegue falhar em várias aspectos que vão de câmera a jogabilidade. O jogo é extremamente repetitivo, a câmera deixa você preso em diversos cantos, em diversos aspectos, tornando a tafera de “jogar” muito... Chata!
Esse game conta também com um modo multiplayer on-line para 4 jogadores e é incrível como esse multiplayer consegue ser ainda pior que o modo single player! Assim, resumimos Naughty Bear como o horror que ele é! Nem a quantidade de framerates o jogo consegue manter. Enfim, entenda essa matéria como algo informativo sobre um jogo que você não deve comprar!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Metal Gear Solid: Peace Walker – PSP – Preview

O retorno ao PSP



Como sempre Kojima prende os detalhes de seus jogos até o último instante. É realmente difícil arrancar novidades desse incrível produtor de games. E nas poucas vezes que Hideo Kojima abre o jogo é um pouquinho ali e outro pouquinho lá. Entretanto, quando o jogo foi demonstrado na Tókio Game Show, finalmente as novidades começaram a sair.

Metal Gear Solid: Peace Walker se passa na América Latina, em 1974, depois dos eventos de Metal Gear Solid: Portable Ops (também para PSP). O exército do Big Boss estava se agrupando e agora eles são conhecidos como “Militaries Sans Frontières”, ou Soldados Sem Fronteiras. O primeiro trabalho de seu exército no jogo é proteger as pessoas indefesas da Costa Rica contra uma força mercenária que possivelmente foi fundada pela C.I.A.

O Big Boss fica com receios de aceitar o trabalho proposto por Galvez, um professor que ensina o assunto da “paz”, porém o misterioso parceiro de Snake, Miller, fica tentando arrancar informações dele. Muito provavelmente ele é McDonnell Miller, que os fãs da série conhecem como o Master Miller, amigo de Codec de Snake. Galve trás uma jovem garota Costa Riquenha chamada Paz, que foi torturada pelos mercenários, para conseguir apelar para o lado humanitário do Big Boss.

Felizmente o Big Boss não terá que lutar sozinho contra esses mercenários. O novo sistema Cooperativo de Metal Gear Solid: Peace Walker permite que até quatro jogadores trabalhem juntos em combate e missões infiltradas. Um interessante número de novidades foram criadas para garantir que esse não seja apenas mais um Metal Gear com jogadores extras. Na medida em que os personagens se aproximam uns dos outros, anéis aparecem em suas bases (como em Metal Gear Solid 4).






Os personagens que estão próximos o suficiente de seus parceiros poderão trocar armas e equipamento, aumentarão a velocidade de cura e poderão utilizar alguns táticos diferenciados. Um desses movimentos permite que os jogadores possam se movimentar como agentes da SWAT, um atrás do outro, isso acontece de forma automática quando um jogador começar a acompanhar o outro numa pequena distância. O que segue pode até sacar sua arma para cobrir as cosas deles, garantindo a segurança do líder da equipe.

Uma das novidades mais intrigantes é o Sistema Fulton. Um balão infla instantaneamente para levar tropas inimigas nocauteadas. No início os desenvolvedores não queriam abrir o jogo sobre maiores detalhes desse novo sistema, mas já deixaram escapar que isso poderá funcionar como um novo sistema de recrutamento.

Com isso, apesar da pequena quantidade de informações liberadas, já dá para perceber que esse será um grande game da série Metal Gear Solid! Um grande número de novidades com certeza ainda serão reveladas para se adicionarem ao interessante modo cooperativo. Apesar que todo o fã da série sabe que todos os jogos de Kojima com a marca Metal Gear Solid nunca decepcionam!

Assim que outras novas informações forem saindo sobre o jogo, estaremos aqui para trazê-las em primeira mão!

Plataforma: PSP
Data de Lançamento: 08/06/2010
Distribuída por: Konami
Desenvolvida por: Kojima Productions
Gênero: Ação
ESRB Rating (censura): Pendente
Expectativa: 9.5 / 10.0

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Assassin's Creed II - Análise

Assassin’s Creed II tem como objetivo uma missão digna de qualquer drama shakespeareano: consertar os erros e pecados de seu predecessor e se firmar em suas próprias duas pernas. Os estúdios da Ubisoft Montreal criaram um game que representava uma opção para fãs de uma jogabilidade a lá Prince of Persia, ao mesmo tempo que introduziram ao mundo dos games a noção do Parkour, tudo em um cenário que engloba o período das Cruzadas. Mas uma trama congestionada e uma mecânica de jogo repetitiva (investigue, invada e assassine) que anulava qualquer sensação de evolução minaram os esforços do primeiro game da série. Escalar minaretes como um homem-aranha de capuz, praticamente voando por telhados de cidades amplas e cheias de vida e personalidade é indiscutivelmente um conceito fascinante (e, diga-se de passagem, economicamente rentável), e por isso cá estamos de novo. Assassin’s Creed II consegue superar em muitos pontos o original, mas não está livre de ter suas próprias falhas.

A primeira, claro, tem a ver com o problema da trama. Tomando emprestado um tom de mistério e intriga digno da série Lost, a narrativa de Assassin’s Creed é repleta de idas e voltas. AC II tem muito o que retomar e, talvez por causa disso, o resultado é que o jogo se arrasta um pouco em suas horas iniciais. Aprende-se sobre o Animus, os templários, novos personagens e alguns tutoriais. Chegar em Florença demora um pouco – assim como de fato iniciar a saga do jogo – mas é daí que AC II começa a ficar interessante. O jogador entra na pele de Ezio Auditore de la Firenze (desafiamos você a falar esse nome e não soar teatral), um energético e espirituoso arruaceiro filho de uma das mais influentes famílias de Florença do século XV. Um nobre entre outras palavras. Depois que uma sórdida traição leva à prisão e morte de seu pai e irmãos, Ezio decide vestir a capa de um assassino e buscar sua vingança, custe o que custar. A sacada é que o jovem aristocrata não se torna um matador profissional de primeira, e conforme seu treinamento e aperfeiçoamento progridem, também ficamos conhecendo mais um pouco do personagem e do universo que ele habita. Infelizmente Ezio é um personagem plano, e suas motivações não foram tão bem exploradas como poderiam ser. Embora muito boa no geral, o grande problema da narrativa está no pano geral, e não nas histórias pessoais.

Anjos e demônios

Seria muito mais fácil simpatizar com Ezio (assim como Altair, do game original) sem toda a trama meio Matrix, meio Dan Brown que rola como fio condutor. Veja bem, para enfrentar os malvados templários do futuro, Desmond Miles (esse sim o personagem principal), precisa se tornar um verdadeiro mestre na arte do assassinato. É para melhorar suas habilidades que, usando uma espécie de máquina do tempo, Desmond adentra na pele de Ezio – um de seus ancestrais – e passa por todo o tormento que ele passou. No fim das contas, os personagens e seus ricos cenários parecem servir mais como meios do que fins e todos os desconfortos que tivemos com a narrativa de AC II eram resultados desse pano de fundo sem inspiração. Finalmente, conforme Ezio segue sua aventura, ele cruza o caminho de um ou outro figurão da História mundial. Aficionados por documentários vão reconhecer gente como Lorenzo di Médici e, claro, o famoso Leonardo Da Vinci – embora seu personagem não passe de um alívio cômico e uma desculpa para a existência das traquitanas de Ezio. É algo que serve pra temperar a narrativa, e pouco mais do que isso.

Ezio se move como se fosse uma marionete: o jogador é o títere, e cada botão do controle serve para manipular um membro específico do personagem. As “pernas” são controladas por um único botão, responsável por aumentar o ritmo do passo de Ezio e executar suas manobras, dois botões controlam os “braços” (um armado e outro desarmado) e, finalmente, a “cabeça” é controlada por um quarto botão, que quando apertado possibilita conversar com personagens e usar a visão do personagem. A intensidade de cada ato mapeado para cada membro pode ser mudado entre dois níveis: por exemplo, no primeiro nível, o botão da “perna” apenas faz Ezio andar, enquanto no segundo nível permite que Ezio se mova e salte com agilidade (inclusive maior que a do personagem do primeiro jogo). As manobras de Parkour no game são realizadas automaticamente pelo personagem, bastando que o jogador segure o botão necessário. Embora prática e intuitiva, essa lógica torna o game pouco imersivo: muitas vezes parece que Ezio se move sozinho e independente da ação do gamer. Todo esse layout é complicado de primeira, e o game demora um pouquinho pra te acostumar nele. O leque de ações de Ezio é amplo, e há sempre mais de uma saída para uma dada situação. O que nos leva ao grande trunfo da jogabilidade de AC II: as ações furtivas.




Como um matador profissional, Ezio deve evitar chamar a atenção de guardas e agentes da lei. Além de se mesclar na multidão ou fugir pelos telhados, o jogador tem ainda mais algumas opções: cortesãs podem ser contratadas para seduzir guardas e deixá-los indiferentes à sua presença, ladrões podem ser subornados para fazerem o trabalho sujo e chamar a atenção e dinheiro pode ser jogado no chão para causar um alvoroço conveniente. Ezio pode até mesmo usar a água ao seu favor e mergulhar para longe de olhares indesejados. Para contrabalancear isso, a cidade e seu povo reage de forma a criar empecilhos para sua furtividade: muitas vezes durante uma missão de assalto, fomos assediados por uma alegre banda de trovadores de rua. Desnecessário dizer que os guardas logo notaram nossa presença no meio da barulhada toda. Derrubar mercadoria ou empurrar pessoas pode resultar em similares problemas. Esse jogo de estratégia é muito divertido, e faz com que toda a atividade na cidade – seja sua, seja das pessoas ao seu redor – sejam dignas de consideração. Em muitos casos, o combate é inevitável, e é aqui que a lógica “um botão faz milhares de coisas” começa a mostrar suas falhas. O mesmo sistema da marionete se aplica aqui, mas é fácil se perder nos primeiros embates. Glitches ocorrem vez ou outra, raios de alcance dos ataques parecem maiores do que são e tentar atacar um inimigo mais distante prova-se uma atividade de dificuldade desnecessária. O sistema de contra-ataque é o ponto forte: o timing para o ataque é bem amplo e a ação sempre resulta em animações brutais e altamente recompensadoras.

Para despistar a guarda, não basta correr. O jogo conta com um sistema de “notoriedade”. Fugir de um combate pode ser uma solução no momento, mas toda a cidade estará em alerta, e a presença de Ezio nas ruas será mais facilmente notada de acordo com o nível de notoriedade do personagem, chegando ao ponto de ações como mesclar na multidão serem inúteis. Para contornar a situação, o jogador pode andar pela cidade arrancando pôsteres de procurado, assassinando ou subornando guardas corruptos. Na primeira vez, soa divertido explorar a cidade, mas na décima terceira, a fórmula perde a graça. É uma solução de castigo em um game de mundo aberto mais interessante e menos urgente que as estrelas de GTA, mas que pode cair na rotina com muita rapidez.

As missões em si foram reformuladas: agora não é necessário ficar minutos ouvindo conversas ou fazendo repetitivas missões de investigação para chegar ao seu alvo. Tudo é mais direto que no primeiro jogo, e isso faz maravilhas por este título. O game se assemelha a um jogo tradicional de mundo aberto, mas toda a beleza e vivacidade do cenário (mais sobre isso em breve), e toda a liberdade de movimento serve pra esconder o fato de que muitas das missões são repetitivas e pouco inspiradoras: escoltar pessoas de um lado da cidade ao outro, andar até um ponto do mapa ou assassinar o alvo são parte de uma fórmula usada à exaustão no game. Até mesmo as missões laterais perdem a graça e caem no mesmo formato. Um dos objetivos mais interessantes inclui a vila Monteriggioni, um conjunto de cortiços mal acabados que, com ajuda financeira do jogador, pode se tornar uma cidade próspera e render fortunas para Ezio. Infelizmente a falta de um sistema de viagem instantânea realmente ágil faz o ir e vir se tornar uma atividade um pouco incômoda. Mas ver a cidade ganhar ares de nobreza com o passar do tempo é um prazer e tanto. E os retornos financeiros são gordos, claro.




A cidade que nunca dorme

Um dos grandes méritos de Assassin’s Creed foi seu ambiente, uma recriação quase fiel de Jerusalém e arredores. Pessoas andavam pelas ruas, se importando com seu próprio dia-a-dia e reagindo às ações do personagem, e toda a mecânica criava um cenário cheio de vida e de desafios próprios. Florença, Veneza e arredores não são diferentes: embora o ambiente sofra de um certo efeito monocromático, a arquitetura é fora de série. O trabalho de pesquisa é algo de tirar o chapéu e se você já teve a chance de visitar a região – algumas das vilas se mantém como eram na época medieval até os dias de hoje – vai se surpreender com a semelhança. O que mais se destaca é o excelente trabalho com texturas. Quase todo o canto e parede é lotado de detalhes e reentrâncias em baixo e alto relevo, sobre as quais Ezio se adapta enquanto as escala. É divertido ver, digamos, a Basílica de San Marco ao fundo e ficar pensando, só de olhar, como vencer as paredes e obstáculos para chegar no topo. Esse tipo de curiosidade é recompensada com itens secretos como “penas” (imagine algo como os Hidden Packages de GTA), baús de tesouro e, em alguns casos, uma vista panorâmica que permite atualizar o mapa da cidade – item este que deixa um bocado a desejar por falta de detalhes e até fidelidade ao cenário virtual. Os personagens e habitantes são bem variados entre si, embora guardas tendam a se tornar repetitivos. O figurino é muito variado e colorido mas, em compensação, o rosto dos personagens parece esquisito. Faltam detalhes, personalidade e quase todas as emoções são esboçadas de forma cartunesca demais.

O trabalho de dublagem em Assassin’s Creed II deixa pouco a desejar: os atores usam da inflexão certa no momento certo e, fora um ou outro sotaque forçado, soam naturais, ou quase. O drama da escrita e dos próprios dubladores faz o game inteiro parecer uma ópera classuda, o que não é nada mal. Um ponto fraco, porém, está numa mistura aleatória e pouco natural entre frases e termos em inglês e italiano durante as falas dos personagens. Ah, va bene. Ezio soa energético e vibrante, assim como sua personalidade – e a própria dinâmica de controle – deixam transparecer. Só não vá esperar um final legal.




Se Shakespeare, com seu Hamlet, nos ensinou algo, é que é impossível se desfazer completamente dos fantasmas do passado. Assassin’s Creed II deixou pra trás as filosofias de design que emplacaram o primeiro game como uma experiência monótona e repetitiva, mas gerou outros tantos problemas que o tornam justamente um game aquém de sua premissa. Toda a trama de ficção científica voltou, e não é nem de longe tão sagaz quanto os desenvolvedores querem que você acredite. A estrutura geral de missões raramente mexe com a fórmula e apresenta algo novo e o combate e movimentação ainda tem lá seus problemas. Mas a saga de Ezio Auditore de la Firenze vale a pena, e as cidades e seus burburinhos são capazes de te prender ao jogo mesmo sem querer. Para quem esperava algo melhor que o primeiro Assassin’s Creed, aqui está. Mas não espere um marco da História.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

God of War III – Playstation 3 – Review

O fantasma de Esparta em sua última e devastadora aventura!

Palavras como “instintivo” e “brutal” são palavras comuns para descrever os jogos violentos de hoje em dia, mas essas não são nem o começo para descrever o significado de God of War III. Não consigo imaginar outros termos compatíveis para descrever como essa sensação “arranca-intestino” que essa besta mítica deixa quando você o controla para destruir inimigos mitológicos, para decepar divindades gregas ou para simplesmente entalhar um titã! Exagero? Que nada! Palavras assim são as únicas que são capazes de descrever Kratos nos últimos anos e God of War III não é só incrível porque é violento; é incrível porque trás essas experiências em formas nunca vistas antes!

Nesse game Kratos têm uma série de combos estilosos e bem elaborados, as mortes tem uma variedade de formas de acontecer tão vastas que o jogo está ainda mais sangrento e mais épico que nunca! Em anos desde God of War II, enquanto outros games tentavam se aproximar da sombra de Kratos e de seu estilo de luta, a equipe da Sony de santa Mônica, nos Estados Unidos, elevou a escala de intensidade a um nível que prova que Kratos é indisputavelmente o rei desse gênero de jogo

Algo incrível que acontece constantemente em God of War III Os monstros surgem de forma furtiva pelas sombras, titãs surgem através de muros e deuses de investidas divinas, tudo isso inserido na jogabilidade. Quando você acha que sabe o que está por vir, você verá uma seqüência única de acontecimentos ou uma mecânica nova para manter a experiência sempre inovadora! Até as mortes de combinações mudam para dar um ar cinematográfico para as mortes dos chefões.

God of War III continua exatamente de onde God of War II parou e sua apresentação cinematográfica está ainda mais incrível e refinada. Se você jogou os games anteriores da série você encontrará tudo o que você aprendeu a amar sobre Kratos e seu estilo de luta com espadas do mesmo jeito que nos games anteriores, porém tudo ainda melhor graças à integração de outros itens. Essas novidades (geralmente retiradas de adversários derrotados) permitirão que você possa correr para cima de inimigos atropelando cada um no seu caminho, possa paralisá-los, ou até mesmo ataques à distância, sendo que essas fontes se renovam com muita rapidez. Com isso você terá liberdade para usar tais ferramentas sem ter pena de gastá-las, abrindo novas possibilidades para combos. Usando isso em conjunto com as doces novas armas e manobras, Kratos torna-se um combatente ainda mais bruto!

O enredo é que teve lá suas pequenas mudanças. Onde antes o foco era em um único alvo, agora Kratos quer, como ele mesmo insiste em dizer nos trailers do jogo e no desenrolar do mesmo, espalhar o caos! Seu propósito em God of War III está diluído em diversos personagens e objetivos. Nada que seja muito de acompanhar. Ele quer caçar os deuses, matá-los, para poder passar por cima do corpo de um visando encontrar o próximo, até que o Olímpio trema! Simples não?

A fúria, a destruição e os pobres deuses destruídos, tudo se resume a isso! Desde 2005 quando Kratos chegou, todos querem vê-lo detonando em sua “simples” busca por vingança. E, após deixar uma bela quantidade de corpos pelo caminho em quatro jogos e três sistemas (2 no Playstation 2, um no PSP e agora no Playstation 3), essa busca finalmente chega a um fim. O que posso lhes dizer é que nem o fã mais frenético imaginou algo tão poderoso, tão belo e tão bom para concluir uma saga como essa! O Fantasma de Esparta retorna com chave de ouro e seria loucura você não terminar essa saga!

domingo, 25 de abril de 2010

Bioshock 2 – Playstation 3 – Review

Bem-vindo de volta a Rapture!


Se você jogou o primeiro game da franquia Bioshock, seja bem-vindo novamente! Nas primeiras 10 horas de jogo você terá contato com elementos bastante familiares, porém tenha certeza que essa não será uma experiência ruim! É como voltar a um Shopping, você já tem uma noção do que vai encontrar pela frente, mas continua gostando do mesmo jeito. Do que estou falando? Cidade submersa, partes de áudios gravados por habitantes que você não tem certeza se ainda estão vivos ou mortos, Big Daddies protegendo as Little Sisters e o dilema de sempre, você vai salvar a Little Sister ou vai detoná-la para ter mais poderes? Bioshock 2 segue diretamente a linhagem de seu antecessor no início, usando uma fórmula de sucesso que manterá novatos e veteranos presos ao jogo e seu enredo.

Enredo? Vamos lá! Nesse game você assume o papel do primeiro Big Daddy, o que é explicado graças à cena cinematográfica inicial do jogo. Se não fosse por ela você poderia até achar que está jogando com o mesmo personagem do Bioshock original. Seu Big Daddy inicial parece que tem roupas feitas de couro, pois os splicers são uma ameaça para ele da mesma forma que para o protagonista do primeiro jogo, que era um simples humano. Daí você deve imaginar, será que o big Daddy que controlamos é tão poderoso quanto os demais encontrados no jogo? Aparentemente não...

Bem, mas uma coisa é certa, você tem a broca de perfuração à sua disposição! Sim, essa violenta forma de ataque faz com que os splicers tornem-se uma ameaça menor, porém esta arma gasta mais combustível do que a marreta, então após poucos usos você fica sem nada! Quando isso acontece, sua broca não passar de uma arma de dar pancadas como outra qualquer, então use-a com sabedoria!

A novidade entre os inimigos é a Big Sister! Ela age de uma forma meio Nemesis, da Resident Evil! Aparece sem avisar, lutar contra ela significa gastar todas as suas energias e você vai achar que nunca vai conseguir derrotá-la! Entretanto, por mais impossível que ela pareça ser, você conseguirá derrotá-la na primeira hora de jogo, e depois você enfrentará esse tipo de inimigo novamente como um chefão, no final de alguns estágios. Apesar dela não ser um antagonista da série, é um oponente desafiador, como os Big Daddies foram no primeiro game, mas nada que a prática e o tempo não resolvam! Desafios são sempre bons, não?









Lembram do “Hack tool”? Para quem nunca jogou a série, você tem como hackear câmeras para desligá-las, máquinas metralhadoras para trabalharem para você e máquinas de Power-ups para conseguir itens. Esse talento ainda continua disponível, sendo alguns quebra-cabeças de hack mais fáceis outros nem tanto. Dependendo do uso você poderá ter ajuda desses itens ou poderá entrar em sérios apuros com eles.

Após as primeiras 10 horas de jogo você entrará na aventura que realmente faz Bioshock 2 um jogo necessário à sua coleção. Os dois últimos atos do jogo são de tirar o fôlego! Uma reviravolta no roteiro mostra um lado desse universo jamais visto e que você nem sequer teria como imaginar, fazendo com que você queria jogá-lo ainda mais, recompensando as horas de batalhas suadas e trazendo um final de jogo simplesmente surpreendente!

Essa mudança crucial também traz novidades às dinâmicas de jogabilidade. Quando seus plasmids chegam ao nível máximo, a arma final do jogo é obtida e assim seu Big Daddy poderá se mover com total velocidade. Assim você se tornará no matador perfeito, capaz de derrubar diversos splicers, outros Big Daddies e até Big Sisters com uma única luta! Quando você mais achava que seu fim estava próximo, você se torna... Um Big Daddy de verdade!

Assim, quando seu verdadeiro potencial chega, você sente o brilho do jogo! Pena que tem que levar tanto tempo. As primeiras 10 horas de jogo não são ruins, não me entendam mal, só não são tão inovadoras e divertidas como no primeiro Bioshock. Os controles são tão bons como no primeiro game e os plasmids explosivos trazem a brutalidade de sempre. Mas depois que você atinge o verdadeiro poder do Big Daddy, o jogo é outro! Muito mais empolgante e muito mais divertido de se jogar!

Infelizmente o mesmo não pode ser dito do multiplayer do jogo. Ele tem um sistema de recompensas bem divertido e interessante, mas a funcionabilidade das armas não é tão legal assim e os plasmids limitados destroem o fator estratégia da partida. Ao usar as Little Sisters, que não param de gritar e chutar o tempo todo, como flags é uma alternativa interessante, mas as armar continuam sendo um incomodo. Se você conseguir se divertir sem se incomodar com esse fato, então o multiplayer poderá reder várias horas de jogo, pois se leva muito tempo até conseguir alcançar o último nível de upgrade, nível 40!

Se o seu interesse é a experiência single-player, que realmente fez os fãs esperarem tanto pelo jogo tenha certeza que é um jogo que vale a pena, apesar do início mais lento. Bioshock 2 é uma ótima seqüência, que agradará a qualquer fã de games Shooter!



by: hiago sousa